"UMA BRECHA NA MURALHA DA HIPOCRISIA"
... disse, neste tom vindo de outras eras mais combativas, um dirigente partidário, a propósito da despenalização do aborto. Pode ser que tenha razão.
Há dias li a notícia que um grupo de mulheres, auto-intituladas uma coisa que se me varreu, mas que não era "Mães de Bragança", veio a público sugerir que se "recuasse ainda mais na lei". Argumentavam que quem defendia a despenalização não estava a favor das mulheres. Presumia-se que estavam a favor da libertinagem. Que as putas que tinham engravidado por gozo e falta de cabeça, tinham mais era que aguentar com as consequências. Não se referiam aos casos de violação ou de malformação do feto, mas percebia-se que era para trazer tudo cá para fora. Amado ou não amado. O que interessava era que "estava feito". Enfim, não vou falar sobre isso porque me desperta o lado mais irracional e sou capaz de desatar a ser malcriado e a defender que ir abrir as pernas a Londres por milhares de libras não é diferente de utilizar a mão-de-obra local. Mas dizer isto não seria muito útil.
Digo apenas que das várias mulheres que conheci e que foram forçadas a abortar, todas o fizeram com dor. Física e sobretudo psicológica. Todas carregaram a culpa consigo. Todas prefeririam não ter de o fazer. Mesmo se elas se encontravam em situação economicamente difícil, ou se eram jovens estudantes, ou se o feto que traziam seria filho do homem que as abandonara e que fora a casa para se deitar com elas, antes de partir novamente... Nenhuma o fez por leviandade.
As mulheres no tribunal de Aveiro e os médicos fazem muito bem em não responder. As (poucas) que saírem à rua para gritar a hipocrisia desta lei, também fazem.
Se os arguidos forem condenados que cumpram a pena injusta. Ninguém escolhe o momento histórico em que vive. E este nem sequer é dos mais bárbaros. Dos mais hipócritas, provavelmente.
Mas não nos peçam que nos calemos.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
16 de dezembro de 2003
15 de dezembro de 2003
14 de dezembro de 2003
A CIDADE DAS SETE COLINAS
Como sei que nem toda a minha gente compra o "Expresso", passo a reproduzir este pequeno excerto de uma história que, segundo creio, ali terá sido referida... (Provavelmente, e conhecendo a compência camarária geral, mais do que falsa: falsíssima!)
"Conto, aliás, uma história que ouvi recentemente.
Um cidadão português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o
Tejo, descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de
Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não tinha
janela.
Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o projecto e o
entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva autorização para a
obra.
O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria bastantes meses ou mesmo anos a
obter uma resposta e que, no final, ela seria negativa. No entanto,
acrescentou, ele resolveria o problema.
Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros entrou na
referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a fachada. O
arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a nova janela e
endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse permitido ao proprietário
fechar a dita cuja janela.
Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora: invocando um
extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os serviços da câmara
davam um rotundo não à pretensão do proprietário de fechar a dita cuja
janela.
E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou com toda
a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia, se atreva a vir
dizer-lhe que tem de fechar a janela!"
Como sei que nem toda a minha gente compra o "Expresso", passo a reproduzir este pequeno excerto de uma história que, segundo creio, ali terá sido referida... (Provavelmente, e conhecendo a compência camarária geral, mais do que falsa: falsíssima!)
"Conto, aliás, uma história que ouvi recentemente.
Um cidadão português, que sempre desejou ter uma casa com vista para o
Tejo, descobriu finalmente umas águas-furtadas algures numa das colinas de
Lisboa que cumpria essa condição. No entanto, uma das assoalhadas não tinha
janela.
Falou então com um arquitecto amigo para que ele fizesse o projecto e o
entregasse à câmara de Lisboa, para obter a respectiva autorização para a
obra.
O amigo dissuadiu-o logo: que demoraria bastantes meses ou mesmo anos a
obter uma resposta e que, no final, ela seria negativa. No entanto,
acrescentou, ele resolveria o problema.
Assim, numa sexta-feira ao fim da tarde, uma equipa de pedreiros entrou na
referida casa, abriu a janela, colocou os vidros e pintou a fachada. O
arquitecto tirou então fotos do exterior, onde se via a nova janela e
endereçou um pedido à CML, solicitando que fosse permitido ao proprietário
fechar a dita cuja janela.
Passado alguns meses, a resposta chegou e era avassaladora: invocando um
extenso número de artigos dos mais diversos códigos, os serviços da câmara
davam um rotundo não à pretensão do proprietário de fechar a dita cuja
janela.
E assim, o dono da casa não só ganhou uma janela nova, como ficou com toda
a argumentação jurídica para rebater alguém que, algum dia, se atreva a vir
dizer-lhe que tem de fechar a janela!"
AS INVASÕES BÁRBARAS
Já não me lembrava do filme anterior, O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO, por isso lá fui um bocadinho a medo (sinceramente, levado pelo prémio de melhor Argumento em Cannes - um filme que tem um bom argumento, e que ISSO SE PERCEBE, dificilmente será apenas um insuportável barrete...).
E gostei muito.
A figura de Remy, o doente terminal que recusa a família e o conforto para mais tarde aceitar o destino e o amor dos seus, é formidável. Mas o melhor será a forma como estes "Amigos de Alex" olham sarcásticos para o seu passado maoísta e empenhado. Divertidísso (num sentido que os apreciadores de Fernando Rocha nunca sonharão...). Ainda há pouco estava a ver o Fernando Rosas, na tv, a falar sobre o Iraque e me lembrei deles :-)
Já não me lembrava do filme anterior, O DECLÍNIO DO IMPÉRIO AMERICANO, por isso lá fui um bocadinho a medo (sinceramente, levado pelo prémio de melhor Argumento em Cannes - um filme que tem um bom argumento, e que ISSO SE PERCEBE, dificilmente será apenas um insuportável barrete...).
E gostei muito.
A figura de Remy, o doente terminal que recusa a família e o conforto para mais tarde aceitar o destino e o amor dos seus, é formidável. Mas o melhor será a forma como estes "Amigos de Alex" olham sarcásticos para o seu passado maoísta e empenhado. Divertidísso (num sentido que os apreciadores de Fernando Rocha nunca sonharão...). Ainda há pouco estava a ver o Fernando Rosas, na tv, a falar sobre o Iraque e me lembrei deles :-)
AGARRA QUE É SADDAM
Perdi o discurso do nosso Primeiro sobre a captura do fugitivo iraquiano. Estava marcada para as 17.00h, mas prudentemente, resolveu ouvir primeiro o que dizia o Pai Bush e tudo o que era líder europeu, antes de arriscar uma opinião.
Portugal está mesmo a mudar. Os nossos governantes estão a ficar verdadeiramente prudentes e reflectidos. Sim senhor...!
Perdi o discurso do nosso Primeiro sobre a captura do fugitivo iraquiano. Estava marcada para as 17.00h, mas prudentemente, resolveu ouvir primeiro o que dizia o Pai Bush e tudo o que era líder europeu, antes de arriscar uma opinião.
Portugal está mesmo a mudar. Os nossos governantes estão a ficar verdadeiramente prudentes e reflectidos. Sim senhor...!
EQUADOR
Miguel Sousa Tavares deu uma entrevista exemplar ao "Mil Folhas". Pela primeira vez, desde que me lembro, alguém que escreveu um livro de ficção, não se declarou "escritor". Pelo contrário, afirma que o não é. E lá ficamos todos a discutir se terá razão ou não. O seu testemunho foi tão honesto e fiel como o livro. Sem paciência para as "caganças"que caracterizam o discurso geral, limita-se a dizer que tinha uma história para contar e a contou o melhor que foi capaz. Mais: atreve-se a dizer que "não sabe se o seu livro ajudou a literatura. Mas que ajudou, de certeza, a leitura". E isto é indiscutível.
Duvidosamente, Equador ganhará qualquer prémio literário. Não está na editora certa, e vendeu demasiados exemplares. De resto, com a honestidade de alguém que leu as mais de 500 páginas e gostou, não sei se o mereceria. O ano passado, em Barcelona, Agustina disse uma coisa que chocou muita gente: afirmou que em Portugal se tinha inventado uma nova razão para atribuir prémios literários, a Piedade. Isto é, premeia-se aqueles que ninguém quer ler. Ela tem idade e talento suficientes para a acreditarmos.
Sousa Tavares, quando quiser pode escrever neste blog. A sua postura não poderia estar mais próxima da ironia do Prazer Inculto...
Miguel Sousa Tavares deu uma entrevista exemplar ao "Mil Folhas". Pela primeira vez, desde que me lembro, alguém que escreveu um livro de ficção, não se declarou "escritor". Pelo contrário, afirma que o não é. E lá ficamos todos a discutir se terá razão ou não. O seu testemunho foi tão honesto e fiel como o livro. Sem paciência para as "caganças"que caracterizam o discurso geral, limita-se a dizer que tinha uma história para contar e a contou o melhor que foi capaz. Mais: atreve-se a dizer que "não sabe se o seu livro ajudou a literatura. Mas que ajudou, de certeza, a leitura". E isto é indiscutível.
Duvidosamente, Equador ganhará qualquer prémio literário. Não está na editora certa, e vendeu demasiados exemplares. De resto, com a honestidade de alguém que leu as mais de 500 páginas e gostou, não sei se o mereceria. O ano passado, em Barcelona, Agustina disse uma coisa que chocou muita gente: afirmou que em Portugal se tinha inventado uma nova razão para atribuir prémios literários, a Piedade. Isto é, premeia-se aqueles que ninguém quer ler. Ela tem idade e talento suficientes para a acreditarmos.
Sousa Tavares, quando quiser pode escrever neste blog. A sua postura não poderia estar mais próxima da ironia do Prazer Inculto...
13 de dezembro de 2003
APRENDER É MAÇADA
S.Tomé' 2003
Numa escola que eu conheço, 5 alunos faltaram a um teste. Porque não lhes apeteceu. O que conduziu a um processo de "Recuperação" (não remunerado ao professor). Desses 5, 3 resolveram faltar à "Recuperação". Não estavam em dia de ser recuperados, suponho. O Estado-Providência já lhes preparou mais uma (não remunerada ao professor). Irão se quiserem. Se não quiserem, ainda têm mais 2 hipóteses.
Não remuneradas à igualdade entre os novos do mundo.
S.Tomé' 2003
Numa escola que eu conheço, 5 alunos faltaram a um teste. Porque não lhes apeteceu. O que conduziu a um processo de "Recuperação" (não remunerado ao professor). Desses 5, 3 resolveram faltar à "Recuperação". Não estavam em dia de ser recuperados, suponho. O Estado-Providência já lhes preparou mais uma (não remunerada ao professor). Irão se quiserem. Se não quiserem, ainda têm mais 2 hipóteses.
Não remuneradas à igualdade entre os novos do mundo.
12 de dezembro de 2003
PAGA!
Como é do conhecimento geral, faço parte do grupo de sardinhas que se empilham diariamente nos transportes públicos em Lisboa. Por isso, estou à-vontade para falar sobre carros.
Santana Lopes entende, e bem, que há muitos carros no centro de Lisboa, que não é como a Quinta da Marinha nem as outras zonas por onde ele se passeará, onde há sempre espaço para um motorista arrumar o carro.
Daí que tenha resolvido atacar o problema por onde ele dói: o bolso dos automobilistas. No que tem razão, segundo penso. A única lei que os portugueses entendem à primeira (logo a seguir ao murro nos dentes) é ter de pagar por qualquer coisa que tinham de borla.
Agora é a circulação na Baixa de Lisboa que passará a ser paga. Não tenho nada a objectar, desde que rede de transportes públicos seja reforçada e os funcionários da Carris trabalhem pelo menos uns 200 dias por ano.
Já me chateia mais a ideia de que a EMEL , a empresa mais burocrática, antipática e disfuncional da cidade (e porventura uma das mais abonadas, sabe-se lá para onde vai o dinheiro) tenha tomado o freio nos dentes e venha exigir aos moradores QUE PAGUEM ESTACIONAMENTO nas suas áreas de residência. Não lhes chega cobrarem fortunas por toda a cidade, como ainda estão decididos a penalizar os milhares de pessoas que não dispõem de garagem nos seus prédios para arrumar os carros ao fim do dia.
Ainda estou para ver que desculpa é que o amigo Pedro vai arranjar para justificar esta cedência aos lóbis camarário-empresariais...
Como é do conhecimento geral, faço parte do grupo de sardinhas que se empilham diariamente nos transportes públicos em Lisboa. Por isso, estou à-vontade para falar sobre carros.
Santana Lopes entende, e bem, que há muitos carros no centro de Lisboa, que não é como a Quinta da Marinha nem as outras zonas por onde ele se passeará, onde há sempre espaço para um motorista arrumar o carro.
Daí que tenha resolvido atacar o problema por onde ele dói: o bolso dos automobilistas. No que tem razão, segundo penso. A única lei que os portugueses entendem à primeira (logo a seguir ao murro nos dentes) é ter de pagar por qualquer coisa que tinham de borla.
Agora é a circulação na Baixa de Lisboa que passará a ser paga. Não tenho nada a objectar, desde que rede de transportes públicos seja reforçada e os funcionários da Carris trabalhem pelo menos uns 200 dias por ano.
Já me chateia mais a ideia de que a EMEL , a empresa mais burocrática, antipática e disfuncional da cidade (e porventura uma das mais abonadas, sabe-se lá para onde vai o dinheiro) tenha tomado o freio nos dentes e venha exigir aos moradores QUE PAGUEM ESTACIONAMENTO nas suas áreas de residência. Não lhes chega cobrarem fortunas por toda a cidade, como ainda estão decididos a penalizar os milhares de pessoas que não dispõem de garagem nos seus prédios para arrumar os carros ao fim do dia.
Ainda estou para ver que desculpa é que o amigo Pedro vai arranjar para justificar esta cedência aos lóbis camarário-empresariais...
11 de dezembro de 2003
10 de dezembro de 2003
SURPRESAS
A dieta moderada que tenho vindo a fazer de televisão e jornais está-me a fazer bem. Ando muito menos "Informado" :-)
Contudo, há uns dias, ao zapar pela pantalla, descubro que ainda existe o Big Brother, que julgava saudavelmente extinto. E o Herman também ainda repete os seus "soquetes"... Os mesmos da minha adolescência. É maravilhosa a ausência de timing de algumas pessoas.
Por este andar desinformado ainda descubro que o Tal Programa cultural da DOIS já começou...!
A dieta moderada que tenho vindo a fazer de televisão e jornais está-me a fazer bem. Ando muito menos "Informado" :-)
Contudo, há uns dias, ao zapar pela pantalla, descubro que ainda existe o Big Brother, que julgava saudavelmente extinto. E o Herman também ainda repete os seus "soquetes"... Os mesmos da minha adolescência. É maravilhosa a ausência de timing de algumas pessoas.
Por este andar desinformado ainda descubro que o Tal Programa cultural da DOIS já começou...!
9 de dezembro de 2003
CINEMA INDEPENDENTE
Pelo que fui lendo na blogosfera, muitos são os que consideram o artigo do Independente sobre o estado do cinema português como "demagógico".
Eu, que vi alguns dos filmes, pareceu-me ser apenas a apresentação de factos.
O outro foi que estive quase sempre sózinho na sala durante as projecções.
O último foi que percebi completamente as razões de quem lá não estava.
Mas estou com aqueles que que querem tapar o sol com a peneira. Boraí todos fingir que só se fazem filmes maravilhosos e que o público (os 10 milhões) é que é estúpido!
Pelo que fui lendo na blogosfera, muitos são os que consideram o artigo do Independente sobre o estado do cinema português como "demagógico".
Eu, que vi alguns dos filmes, pareceu-me ser apenas a apresentação de factos.
O outro foi que estive quase sempre sózinho na sala durante as projecções.
O último foi que percebi completamente as razões de quem lá não estava.
Mas estou com aqueles que que querem tapar o sol com a peneira. Boraí todos fingir que só se fazem filmes maravilhosos e que o público (os 10 milhões) é que é estúpido!
6 de dezembro de 2003
CALVINO
"Assim, temos de recordar-nos de que se nos impressiona a ideia do mundo constituído de átomos sem peso é porque temos experiência do peso das coisas; tal como não poderíamos admirar a leveza da linguagem se não soubéssemos admirar também a linguagem dotada de peso"
(Italo Calvino, in "Seis propostas para o próximo milénio" - A Leveza)
"Assim, temos de recordar-nos de que se nos impressiona a ideia do mundo constituído de átomos sem peso é porque temos experiência do peso das coisas; tal como não poderíamos admirar a leveza da linguagem se não soubéssemos admirar também a linguagem dotada de peso"
(Italo Calvino, in "Seis propostas para o próximo milénio" - A Leveza)
OLD LIGHT GOES HUNTING
Hoje vi o novo livro da Rita Ferro, sobre cromos. No resultado da maravilhosa parceria que tem estabelecido com o seu novo editor N. Matos, varre os portugueses com as suas desencontradas farpas. Vai dos intelectuais até sabe Deus onde... Sempre com a mesma acidez. Um pouco o que a Ana Bola tinha feito com as tias, mas sem a graça.
Contudo, eu, pessoalmente, fiquei contente. Vi-me lateralmente referido :-) Embora sem grande arrojo, admito... Descobri que ainda há gente empenhada cuspir na nome do meu homónimo Possidónio da Silva (1806-1896). Aparentemente, as tias e as velhas carquejas editoriais ainda se lembram de que há cem anos atrás este nome próprio era sinónimo de ingenuidade.
Se tivessem pensado em mim, com certeza que não teriam deixado de referir que por vezes pode ser sinónimo de honestidade e de lealdade aos valores humanísticos.
Ai espera... Mas isso não ajuda a fazer bestsellers, pois não...?!
Hoje vi o novo livro da Rita Ferro, sobre cromos. No resultado da maravilhosa parceria que tem estabelecido com o seu novo editor N. Matos, varre os portugueses com as suas desencontradas farpas. Vai dos intelectuais até sabe Deus onde... Sempre com a mesma acidez. Um pouco o que a Ana Bola tinha feito com as tias, mas sem a graça.
Contudo, eu, pessoalmente, fiquei contente. Vi-me lateralmente referido :-) Embora sem grande arrojo, admito... Descobri que ainda há gente empenhada cuspir na nome do meu homónimo Possidónio da Silva (1806-1896). Aparentemente, as tias e as velhas carquejas editoriais ainda se lembram de que há cem anos atrás este nome próprio era sinónimo de ingenuidade.
Se tivessem pensado em mim, com certeza que não teriam deixado de referir que por vezes pode ser sinónimo de honestidade e de lealdade aos valores humanísticos.
Ai espera... Mas isso não ajuda a fazer bestsellers, pois não...?!
4 de dezembro de 2003
GREVES
Estou atrasado para a greve da Carris. Na prática, o tempo que vou esperar por um transporte alternativo é o mesmo que espero por um autocarro regular (que deveria passar de 15 em 15 minutos).
Obrigado aos habitantes de Matosinhos, Angra do Heroísmo, Évora, Braga, Vila Real, Quarteira e todos os outros que com os seus impostos estão a pagar os custos desta iniciativa de defesa dos direitos de trabalhadores (uma forma de dizer) de Lisboa.
E por falar em greves, alguns trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, foram hoje trabalhar "envergando uma peça de roupa preta". Protestam contra a perda de regalias (seria interessante publicar aqui a listagem das regalias de um trabalhador da CGD para se perceber do que estamos a falar).
No Estabelecimento Prisional de Lisboa parece que lhes vão seguir o exemplo por causa da pouca diversidade de canais por cabo. Amanhã muitos irão almoçar envergando uma peça de roupa interior rosa. Ou azul-bebé, conforme...
Estou atrasado para a greve da Carris. Na prática, o tempo que vou esperar por um transporte alternativo é o mesmo que espero por um autocarro regular (que deveria passar de 15 em 15 minutos).
Obrigado aos habitantes de Matosinhos, Angra do Heroísmo, Évora, Braga, Vila Real, Quarteira e todos os outros que com os seus impostos estão a pagar os custos desta iniciativa de defesa dos direitos de trabalhadores (uma forma de dizer) de Lisboa.
E por falar em greves, alguns trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, foram hoje trabalhar "envergando uma peça de roupa preta". Protestam contra a perda de regalias (seria interessante publicar aqui a listagem das regalias de um trabalhador da CGD para se perceber do que estamos a falar).
No Estabelecimento Prisional de Lisboa parece que lhes vão seguir o exemplo por causa da pouca diversidade de canais por cabo. Amanhã muitos irão almoçar envergando uma peça de roupa interior rosa. Ou azul-bebé, conforme...
GOVERNA QUEM SABE
O nosso clown, Alberto João, bateu o pé, para variar, a propósito da eterna dívida da Madeira. Terá certamente ameaçado com o que seria uma benção para todos nós, incluindo os nossos conterrâneos do arquipélago: não se recandidatar. Era mentira, claro, um palhaço morre sempre de forma patética debaixo das luzes da pista. Mas, a contrariada Manuela F. Leite, lá deve ter tido de ceder aos pedidos do - por assim dizer - líder do governo e vá de lhe perdoar tudo, fazer batota com as regras de contenção do endividamento. E ainda lhe arranjou mais uns trocos com que ele irá esfregar na cara do povo local como "tomem lá que EU vos dou mais isto".
Isto só vem provar que não existem em Portugal políticos de confiança. Quando a perda de votos ameaça dão o cu e cinco tostões para não perderem o poleiro.
Ora, ganhem vergonha na cara!
O nosso clown, Alberto João, bateu o pé, para variar, a propósito da eterna dívida da Madeira. Terá certamente ameaçado com o que seria uma benção para todos nós, incluindo os nossos conterrâneos do arquipélago: não se recandidatar. Era mentira, claro, um palhaço morre sempre de forma patética debaixo das luzes da pista. Mas, a contrariada Manuela F. Leite, lá deve ter tido de ceder aos pedidos do - por assim dizer - líder do governo e vá de lhe perdoar tudo, fazer batota com as regras de contenção do endividamento. E ainda lhe arranjou mais uns trocos com que ele irá esfregar na cara do povo local como "tomem lá que EU vos dou mais isto".
Isto só vem provar que não existem em Portugal políticos de confiança. Quando a perda de votos ameaça dão o cu e cinco tostões para não perderem o poleiro.
Ora, ganhem vergonha na cara!
3 de dezembro de 2003
2 de dezembro de 2003
JUNTAR IDEIAS AFASTAR O LIXO
Regresso de um bocado muito agradável, passado com um Clube de Leitura de Lisboa. Reúnem-se uma vez por mês, para falar de um livro que quase todas as pessoas acabaram de ler, colocam perguntas ao autor convidado e dizem de sua justiça sobre a obra em apreciação e muitas outras coisas. No fim, janta-se e descobrem-se as pessoas.
É simples, é barato e Deus sabe que fica nos antípodas da solidão que a televisão impõe. Se cada uma das pessoas que está a ler este post falasse com outras e organizasse um encontro deste género (à volta de um livro, de um filme ou de outra coisa qualquer) Portugal poderia a ser diferente. :)
Regresso de um bocado muito agradável, passado com um Clube de Leitura de Lisboa. Reúnem-se uma vez por mês, para falar de um livro que quase todas as pessoas acabaram de ler, colocam perguntas ao autor convidado e dizem de sua justiça sobre a obra em apreciação e muitas outras coisas. No fim, janta-se e descobrem-se as pessoas.
É simples, é barato e Deus sabe que fica nos antípodas da solidão que a televisão impõe. Se cada uma das pessoas que está a ler este post falasse com outras e organizasse um encontro deste género (à volta de um livro, de um filme ou de outra coisa qualquer) Portugal poderia a ser diferente. :)
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